O CASO DA SOCIEDADE GEMINI

Graça Foster e a Gemini "fidelidade incondicional" à presidente Dilma Rousseff

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A estapafúrdia declaração de "fidelidade incondicional" à presidente Dilma Rousseff, feita pela nova presidente da Petrobras em seu discurso de posse no dia 13 de fevereiro de 2012, é por demais preocupante. Graça Foster perdeu, de maneira clara, patente e absoluta a sua isenção para analisar atos de Dilma que firam o interesse da empresa por ela presidida.

A propósito, tal "fidelidade incondicional" é a mais provável explicação para a suspeitíssima atuação de Graça no caso da Gemini – espúria sociedade, altamente prejudicial à Petrobras, arquitetada no período em que Dilma acumulava as funções de Ministra de Minas e Energia e Presidente do Conselho de Administração da Petrobras.

A atuação de Graça no caso Gemini

Dois fatos, conjugados, deveriam fazer com que Graça Foster se empenhasse em apurar as inúmeras acusações de atos lesivos ao interesse público envolvendo a Gemini: ela era a Diretora de Gás e Energia da Petrobras, e a Gemini é uma sociedade constituída para produzir e comercializar gás natural liquefeito (GNL).

Apesar das acusações de crime de lesa-pátria na área sob seu comando, só se tem notícia de uma única manifestação de Graça sobre a Gemini: a impressionantemente tendenciosa carta DG&E n° 75/2010, de 2 de dezembro de 2010, a mim dirigida.

Por distorcer descaradamente a realidade dos fatos, referida carta reforça, de maneira preocupante, as evidências de que a Gemini se transformou numa caixa preta, blindada de forma inexpugnável por aqueles que teriam o dever de apurar as acusações.

Passando muito longe da verdade (e põe longe nisso), Graça Foster escreveu que “todos os esclarecimentos sobre o assunto lhe foram exaustivamente prestados, não restando mais nada a ser acrescentado (...). a Petrobras sempre respondeu os pleitos de V.Sa., conforme demonstrado abaixo”.

Para que se constate de maneira inequívoca a inexistência de qualquer resquício de credibilidade na carta de Graça Foster, basta ler o artigo “Diretora da Petrobras confirma que Dilma sabia da denúncia de corrupção na Gemini”, de autoria do jornalista Jorge Serrão. O endereço eletrônico do artigo se encontra ao final.

Desafio à “fidelidade incondicional”

Indiscutivelmente, para honrar a sua estapafúrdia declaração, Graça Foster tem de colocar em prática as diretrizes traçadas por aquela que merece a sua "fidelidade incondicional". Principalmente, as diretrizes alardeadas por Dilma, de forma solene, perante a comunidade internacional.

Acontece que, na última reunião da ONU, realizada em setembro de 2011, na cidade de Nova York, em discurso feito por ocasião do ato de adesão do Brasil à Parceria para Governo Aberto – acordo internacional criado para difundir práticas que estimulem a transparência governamental – Dilma se comprometeu a viabilizar a colaboração entre o governo e os cidadãos.

Naquela ocasião, Dilma afirmou enfaticamente: “Trata-se de assegurar a prestação de contas, a fiscalização e a participação do cidadão, criando uma relação de mão dupla permanente entre o governo e a sociedade... Governo aberto não é apenas transparência e combate à corrupção. É cidadania, participação popular e melhor prestação de serviços públicos...o meu país tem muito interesse pelo tema e acredito que temos como contribuir... Com muita satisfação, confirmo e convido a todos porque o Brasil será sede do próximo encontro da parceria com o governo aberto em março de 2012”.

Assim sendo, das duas, uma: ou Graça responde aos questionamentos contidos no artigo acima citado (alerto que será considerado uma deslavada mentira, se alguém disser que todos os esclarecimentos sobre o assunto me foram exaustivamente prestados, não restando mais nada a ser acrescentado) ou pare de falar em “fidelidade incondicional” à Dilma.

Conclusão

Ninguém pode ignorar a gravidade da situação: a valorização exacerbada do aspecto pessoal poderá ser extremamente prejudicial ao desempenho de Graça no comando da maior empresa do País.

Era de se esperar que a ocupante de tão alto cargo devesse fidelidade ao País, à empresa que preside e a seus acionistas, tanto o majoritário, como os minoritários.

Dá para imaginar o que teria acontecido se Dilma declarasse “fidelidade incondicional” a Lula, responsável inconteste por sua eleição para presidente da Nação

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