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Plataforma redonda: o custo do fracasso de Piranema

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Sergipe vai operar a primeira plataforma redonda de petróleo do mundo, a FPSO Sevan Piranema. Localizada no litoral sergipano, em Estância, a uma distância de 37 quilômetros de Aracaju, a unidade é do tipo flutuante e trabalha com a produção, armazenamento e transferência de petróleo (FPSO). Operando a uma profundidade de 1 mil a 1,5 mil metros, ela inaugura a produção em águas profundas no Nordeste brasileiro. O batismo da plataforma foi realizado nesta terça-feira, 4, pela Petrobras, em cerimônia que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, a plataforma representa um grande avanço tecnológico na forma de produzir petróleo no mar. "Ela irá permitir maior eficiência na realização de certos processos. Representa também, devido ao seu formato cilíndrico, uma garantia de segurança e estabilidade a mar aberto. Essa é a primeira de várias iniciativas que podem levar à auto-suficiência da produção no Brasil", aposta.

O formato inovador confere à Piranema uma menor vulnerabilidade às condições de mar e vento. Essa estrutura possui uma grande flexibilidade de operação, podendo ser removida com facilidade para outros campos. O seu casco duplo é formado por duas camadas de chapas de aço e o espaço entre elas será preenchido por água salgada, que servem de lastro. O óleo fica armazenado na parte interna. Assim, caso o casco sofra algum dano, não haveria vazamento de óleo no mar.

Produção

A entrada em funcionamento da plataforma também representa um novo fôlego para a produção de petróleo em Sergipe. Com uma capacidade de produção inicial de 10 mil barris - que pode chegar a 30 mil barris de óleo por dia até 2008 -, 3,6 milhões de metros cúbicos/dia de gás e estocagem de 300 mil barris, a produção de Sergipe deverá pular de pular de 44 mil barris/dia para 74 mil barris/dia, ampliando a produção de petróleo do Estado em 60%.

"A plataforma afasta um medo que frequentemente rondava o povo sergipano, a saída da Petrobras do Estado. Passamos por uma época anos atrás em que os investimentos minguaram, foram reduzidos de forma dramática. Mas o problema do Estado não era falta de petróleo, mas de investimentos. Agora estamos orgulhosos porque vemos uma nova tecnologia ser aplicada no Brasil e operar em Sergipe. A marca do pioneirismo vai brilhar no nosso pequeno Estado", afirmou o governador Marcelo Déda.

A Piranema irá produzir óleo leve de excelente qualidade (44º API). Comparável ao petróleo produzido no Golfo Pérsico, esse será o óleo mais leve produzido em águas profundas no Brasil. Esse tipo de óleo é mais valorizado no mercado pela sua facilidade de refino.

Histórico e parceria

A assinatura do contrato entre a Petrobras e o Grupo Sevan Marine, da Noruega, ocorreu em abril de 2005, em Sergipe, na gestão do então presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra. A plataforma ficará alugada à Petrobras por um período de 11 anos. A estrutura representa um investimento de quase US$ 1 bilhão da Petrobras.

O petróleo produzido pela plataforma vai gerar 350 empregos diretos e R$ 5 milhões em royalties por mês para Sergipe. A estrutura ficará ancorada em Estância. "A nossa cidade recebe a entrada em funcionamento dessa plataforma com muita alegria. Agora com o início da produção, poderemos transformar os recursos dos royalties em benefícios para a população", disse o prefeito de Estância, Ivan Leite.

O projeto de construção da Piranema foi realizado em duas fases, uma na China e outra na Holanda. Em território chinês, no estaleiro Yantai Raffles, foi fabricado o casco. Na Holanda, no Keppel Verolme, foi executado o trabalho de integração e instalação dos módulos da planta de processo. A unidade deixou a Holanda rumo ao Brasil no dia 29 de janeiro e chegou na Bahia no dia 1° de março.

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